quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dilma e suas companheiras

A posse de Dilma Rousseff, como a primeira presidente eleita foi o início de um novo capítulo na democracia brasileira. No segundo turno das eleições, a petista foi eleita com  56,05%  dos votos. Durante sua passagem pelo maior posto do governo federal - a casa civil - Dilma mostrou que tem pulso firme, e isso, talvez, foi um dos motivos que levaram a mandatária a chegar ao cargo maior da política brasileira. Aliado, é claro, com o apadrinhamento do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva. Junto com ela, outras mulheres também deram conta do recado e mostraram que lugar de mulher não é só na cozinha.
A atual governante da Argentina, Cristina Kirchner, ocupou o lugar de seu marido Néstor, em 2007, com muitas incertezas acerca das políticas econômicas e sociais, mas ela mostrou que não é apenas coadjuvante ou que vivia à sombra de seu esposo. Kirchner começou sua trajetória na década de 1970 como militante política. Formada em Direito pela Universidade Nacional de La Plata, a argentina é uma típica peronista e é famosa por seu jeito autoritário e dinâmico de governar o país. A economista Camila Machado, que também cursou a faculdade de relações internacionais, acredita que a gestão de Cristina Kirchner foi "um período ferrenho na atual economia, pois ela está jogando duro com o setor privado". Machado diz ainda que os argentinos têm muito para ver até as próximas eleições, que estão marcadas para outbro de 2011.

                                           
Enrique Marcarian/Reuters
Presidentes Dilma Roussef e Cristina Kirchner na Casa Rosada em janeiro de 2011


Não faz muito tempo que o Chile recebia ordens de uma ex-guerrilheira dos tempos sombrios de Pinochet. Mesmo com o poder nas mãos de Sebástian Piñera, vale relembrar um pouco sobre a carreira de Michelle Bachelet. A médica, e atual presidente da União de Nações Sul-Americanas, foi presa-política da brutal ditadura chilena. Seu pai, Alberto Bachelet teve sua morte provocada por sessões de tortura em 1974; um ano mais tarde foi a vez da própria Bachelet com sua mãe. Os violentos interrogatórios, junto com a prisão, levaram cerca de um ano e logo depois a então estudante teve que se exilar na Austrália para se livrar do regime despótico de Augusto Pinochet. Anos mais tarde, Bachelet passou por diversos cargos de notabilidade, como a área de epidemiologia na Comissão Nacional da AIDS, o Minstério da Saúde e o Ministério da Defesa, ambos como assessora. Em 2006, Bachelet alcançou os 53,05% dos votos nas eleições presidenciais e chegou ao controle do país, permancendo por lá até 2010. "O que de fato atrapalhou sua gestão foi a aprovação da lei para controlar a subcontratação do trabalho que ela implantou. Seus últimos meses de governo não foram tão bons, porque diversas camadas da sociedade estavam extremamente insatisfeitas com sua maneira de governar", afirma Machado.
O ponto que liga essas três governantes é o passado delas. Dilma, Kirchner e Bachelet enfrentaram a opsição de frente para buscar a democracia em seus países, além de se tornarem as primeiras mulheres a ocuparem cargos majoritários em suas nações. Machado acredita que esse foi um "grande passo na história da América Latina", já que todas elas são contemporâneas. "Elas mostraram ao mundo que mesmo com todos os erros, todos os escândalos e boatos de corrupção, a mulher pode governar um país e quebrar vários preconceitos acerca da carreira política", afirma a economista.





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